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A pesquisa de linguagem realizada pela Cia. Silvana Abreu chama-se "Dramaturgia do Desejo" e integra técnicas corporais do teatro físico; seleção, apropriação e criação de textos; e a Filosofia Contemporânea de Afirmação da Vida. É a expressão do nosso desejo de praticar uma arte preenchida de vida, através da afirmação das potências do corpo e do pensamento. Técnicas Corporais Trabalhamos uma síntese que envolve Mímica, Teatro Físico, princípios de dança e trabalho psicocorporal neo-reichiano (desbloqueio e liberação de movimentos). Temos como inspiração os grandes mestres que pesquisaram o movimento e as ações físicas, criando conceitos valiosos: Etienne Decroux, Jacques Lecoq, Rudolf Laban, Jerzy Grotowski, Eugenio Barba, Luís Otávio Burnier/Lume e Luis Louis. Deste modo, a movimentação é baseada em técnicas extracotidianas, nas quais o corpo é considerado mídia primária, podendo ser objetos, emoções e abstrações. Desenha-se e transforma-se o espaço através de gestos, coreografias, partituras de ações e ilusões mímicas. A voz também é corpo e pode tomar forma, peso, ritmo. Ela pode ser coreografada, corporificando sons, línguas inventadas (gromelô) e defacetação de palavras. Corpo-em-Vida Com nossos estudos de filosofia, tratamos a técnica como parte integrante de uma atitude artística. Como forma de afirmar um posicionamento ético e estético, afirmamos também a dilatação das potências de ação do corpo, ampliando sua abrangência cênica até as vibrações mais sutis. Integram-se corpo-voz-pensamento-emoção-intuição na figura do artista em estado de rito. Assim, há sempre uma elaboração pessoal para que o gesto esteja impregnado de máximo comprometimento vital. A técnica não como um fim em si mesma, mas como um canal estruturado com firmeza para que as forças da vida possam atravessá-lo em fluxo concentrado, maximizando o contato entre todos os seres presentes na celebração teatral. Filosofia Contemporânea Esta pesquisa tem inspiração na Filosofia Contemporânea de Afirmação da Vida, e busca uma aplicação prática de conceitos encontrados em Nietzsche, Spinoza, Bergson e Deleuze, entre outros, provenientes do nosso encontro o filósofo Luiz Fuganti e com a Escola Nômade de Filosofia. A Filosofia provoca um posicionamento afirmativo, potente, expressivo, singular, inédito, autoral. Impulsiona uma criação onde cada mínimo detalhe é uma escolha estética e está colado à vida, sendo necessariamente vibrante e alegre. Dramaturgia Estudamos a dramaturgia em sua concepção mais ampla. Desde a dramaturgia clássica e sua bagagem valiosa de carpintaria de textos e narrativas, até a dramaturgia do movimento, do gesto, das partituras de ações físicas. A música também é um componente essencial que revela o cerne da dramaturgia. A linguagem cinematográfica tem muito a colaborar para refinar a composição cênica. Existe também a dramaturgia da luz, dos sons, das cores, do espaço tridimensional. Enfim, ela envolve camadas multidimensionais que devem caminhar em harmonia na linha do tempo. Pesquisamos a integração desses múltiplos conceitos e damos especial atenção à raiz orgânica da dramaturgia. Interessa-nos o modo como ela está em conexão direta com a pulsação do coração, da respiração, dos músculos e dos ciclos vitais, envolvendo expansão e contração. No público e no palco, cada pessoa percebe no corpo essa dramaturgia orgânica, e consegue sentir se ela está de acordo ou não com a pulsação da vida. A partir dessa integração corpo-pensamento, arte e filosofia, a dramaturgia nasce em processo orgânico, colada à vida, ao desejo e à sua urgência de expressão. Selecionando textos de autores consagrados ou criando textos próprios, construindo coreografias e partituras de ação, a criação é totalmente integrada e autoral, e será sempre intensa, vibrante, autêntica e alegre.
Pilares de inspiração da Pesquisa
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