Sintoma - Matérias na Imprensa
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Por Emmanuel Fornazari
Quando subiu ao palco, a atriz Angela Sassine se deparou com um Cine Teatro Ópera lotado. Eram mais de 650 pessoas em plena segunda-feira, dia em que o público caia consideravelmente.

|
Peça teve presença marcante de expressões corporais embaladas por tango
Josué Texeira |
O espetáculo da quinta noite do 38º Festival Nacional de Teatro (Fenata) trazia discussões sobre apreensões, medos, insegurança, vontades e amadurecimento.
O vestido preto sofisticado e linguajar, na maior parte formal, caracterizava uma senhora de classe alta.
O monólogo da atriz Angela Sassine se passa na sala de espera para a consulta com um analista.
Enquanto aguarda, a personagem povoa a cabeça com lembranças e extrapola sentimentos. A expressão corporal dá força ao texto, juntamente com os tangos de Astor Piazzola e Carlos Gardel.
Angela Sassine explica que o espetáculo não é uma trama ficcional, mas sim uma representação dos seus próprios sentimentos.
“´É autobiográfico. Foi muito difícil ter feito, porque se mexe com lembranças, como passagens difíceis da vida. Mas um hora você está de frente com seus medos e tem que enfrentá-los e precisa se libertar daquilo que não faz sentido”.
A peça Sintoma apresenta uma forte interação com o público. Contradição à parte, o monólogo estabelece um diálogo de sensações com a platéia raramente visto. Em uma das cenas principais da peça, a atriz Angela Sassine lamenta a falta de carinho que sua personagem recebe. Ao se debruçar no palco, convida uma pessoa da platéia tirá-la da solidão.
A escolhida foi a estudante, Manuela Seratim. A jovem conta que sempre quis participar de uma peça.
“Gosto de interagir com o teatro, acho que foi a melhor peça que vi até agora . A interação com o público foi a parte que mais achei interessante”.
Uma das frases mais marcantes do espetáculo aparece quase no final da trama. A personagem se liberta das pressões e diz: Monstros, venham brincar comigo. O sentido da expressão está em superar os medos e encará-los da melhor maneira possível.

|
Personagem caiu ao chão enquanto reclama da falta de carinho na vida
Josué Texeira
|
A intenção da atriz parece ter alcançado o público. Nilton Araújo afirma ter se identificado com o tema e valoriza a importância do Fenata.
“É sempre um coisa muito especial o teatro. Esta foi muito boa. O tema vai muito mais além do que foi apresentado no palco. Fala das nossas loucuras, dos nossos medos. Temos que preservar eventos como esse. Precisamos prestigiar”.
O 38º Fernata continua nesta terça-feira. As 14h no Teatro Marista acontece a apresentação da peça para crianças "A Incrível Batalha" pelo tesouro de laduê. Já a noite, no Cine Teatro Ópera, a partir das 20h30, temos o espetáculo "As Criadas" e em seguida a apresentação de bonecos intitulada "O Princípio do Espanto". Estas duas peças custam seis reais, com direito a meia entrada.
Fonte: http://einformacao.blogspot.com/2010/11/espetaculo-sintoma-levanta-discussao.html