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Tiche Vianna - Foto:L+T Design

Atos Femininos

Ciclo de Teatro "Atos Femininos"

Mostra de 4 espetáculos desenvolvidos no Projeto Solos do Brasil, sob coordenação artística de Denise Stoklos. Inclui workshop, demonstração de trabalho e mesa redonda com as atrizes do projeto.

>> Tiche Vianna em Instrangeira
>> Jô Rodrigues em É Possível... É Possível, Sim
>> Silvana Abreu em Micro-Revolução de Um Ser Gritante
>> Taynã Azevedo em Agorijá


Jô Rodrigues - Foto:L+T Design

Sobre a Mostra

A expressão da força criativa do feminino e o poder de administrar múltiplos elementos são característica do ciclo de teatro Atos Femininos que reúne quatro performances onde a autoria, direção e interpretação estão a cargo das atrizes que se apresentam em cena solitariamente.

Trata-se da maturação de trabalhos gestados no Projeto Solos do Brasil, sob coordenação de Denise Stoklos, que estabeleceu a formação de atores seguindo as bases do Teatro Essencial, onde o foco está na máxima potência expressiva do ator, utilizando apenas seu corpo, sua voz, sua inteligência e intuição em função de uma comunicação intensa e poética com a platéia.

O projeto, que aconteceu durante o todo o ano de 2002, instigou os atores a assumir todas as etapas da criação, assinando a autoria, a direção, a coreografia, a sonoplastia e a interpretação de suas obras. Este enfoque estimulou cada artista a expandir seus potenciais expressivos, experimentar novas perspectivas e criar um estilo próprio de encenação, inteiramente colado às suas necessidades artísticas e intimamente ligado à atualidade.


Silvana Abreu - Foto:L+T Design

Esse movimento resultou em 15 espetáculos-solo que, a partir de então, criaram vida própria e independente, evoluindo em seu formato, em sua dramaturgia e em sua duração. Atos Femininos reúne agora quatro destes trabalhos. Eles foram criados por quatro atrizes que participaram do projeto e que têm levado seus espetáculos individualmente a diversos lugares do Brasil, como o Pará, Ceará, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina.

A partir de um olhar feminino, cada solo apresenta uma maneira particular de refletir como as mulheres podem trazer novas perspectivas para problemáticas inerentes ao nosso tempo e ao nosso país. A força de enfrentar batalhas cotidianas que parecem vencidas, a insensata crença de achar que é sempre possível realizar o impossível, as revoluções permanentes que o desejo incita em nosso corpo e que pedem espaço e passagem, a urgência de assumir o instante de agora e já como necessário para o exercício de amor em plenitude, são alguns dos temas que estão vibrando nesses atos afirmativos e otimistas espalhados afetivamente no palco, com humor, calor, intensidade e emoção.


Taynã Azevedo - Foto:L+T Design

 

Os Solos

Instrangeira, da diretora e atriz Tiche Vianna, fundadora do Barracão Teatro de Campinas, é uma homenagem às guerreiras ilhadas deste país que, por vezes, se acreditam sozinhas e únicas na guerra contra a invisibilidade do inimigo. São estrangeiras em seu próprio país. Instrangeira é um encontro compartilhado entre mulheres e mães desta pátria na solidão de amor pelos filhos que não tiveram, mas que são delas porque dividem o mesmo espaço de existência. Mostra a história de uma sobrevivente, abandonada numa trincheira de guerra, que desafia o inimigo a matá-la, ou a ser morto por ela e seu exército: barquinhos de papel jornal. Ela o provoca e se faz provocar por ele como única possibilidade de se manter viva.
Texto, iluminação, direção e interpretação de Tiche Vianna
Figurino de Jacqueline Valdívia e Tiche Vianna

É Possível... É Possível, Sim é o solo criado por Jô Rodrigues, atriz de São Paulo. Ela reuniu textos próprios para mostrar que é possível falar de tudo um pouco, desde uma citação a "Giselle" do grande ballet clássico, até os sem-terra ou as pessoas que tentam trabalhar na sua terra. Falar sobre as seguradoras do início da Idade Média para chegar aos planos de saúde nos dias de hoje. Falar do amor, da humanidade, da morte. O importante é aproveitar as infinitas possibilidades para propor ao público uma reflexão sobre o mundo que nos cerca, utilizando a força transformadora da arte e fazendo com que o ator esteja realmente vivo em cena, cheio de potência e intensidade.
Texto, figurino, direção e interpretação de Jô Rodrigues
Iluminação de Sueli Matsuzaki

Micro-Revolução de Um Ser Gritante é o espetáculo-solo da atriz paulistana Silvana Abreu. Livremente inspirada no livro "A Paixão Segundo G.H.", de Clarice Lispector, seu desafio é transpor para a linguagem teatral a intensidade e sensibilidade de Clarice perante o mistério do ser. Não busca uma interpretação literal ou fiel à palavra, mas encontrar no formato da atuação, da fala e da ação, o mesmo efeito poético que a obra suscita durante a leitura. Para isso bebe das entrelinhas, do não-dito, dos silêncios. A cena busca o sentido original da revolução: o permanente risco que implica cada escolha, a cada momento. A afirmação do desejo ou a desistência que se faz a cada gesto. O encontro com a vida que pulsa numa revolução silenciosa: a revolução essencial.
Texto, direção e interpretação de Silvana Abreu
Figurino de Taynã Azevedo
Iluminação de Sueli Matsuzaki e Silviane Ticher

Agorijá é o trabalho realizado pela atriz paraense Taynã Azevedo, a mais jovem do grupo. Ela retrata alguém, talvez uma atriz, uma pessoa que pensa viver e que se encontra em profundo estado de egoísmo camuflado, seguindo aparências, distante do seu querer verdadeiro, trancafiada em suas convenções temporais. Nesta situação, ela tenta estruturar e apresentar um espetáculo de representações do ser formal, até que se descobre confusa, em conflito. A reviravolta intuitiva põe-na de frente consigo mesma e com sua carência de expressão e troca de afetos. Descobre-se escravizada pela convenção cronológica, que não permite o momento dilatado para o amor, e resolve gritar de maneira verdadeira, dizer das necessidades de ser simplesmente. Converge em um ritual de contato com a natureza através de uma bebida mágica: O Agorijá, pedindo ao ser do tempo desmedido que nos habita a desordem da convenção horária e a relevância pela relação coletiva de amor.
Texto, figurino, direção e interpretação de Taynã Azevedo

Projeto Solos do Brasil
Coordenação Artística de Denise Stoklos
Administração e Coordenação de Produção de Egla Monteiro e Silvana Abreu
Fotos de Thais Stoklos Kignel e Leonardo Ceolin
Patrocínio da PETROQUISA
Para mais informações sobre o Projeto Solos do Brasil, clique aqui.

 

O Ciclo

Evento teatral realizado em dois dias, incluindo as seguintes atividades:

Mostra de Teatro
Workshop
Demonstração Técnica
Mesa Redonda
1º Dia  
manhã Workshop
tarde Demonstração Técnica
noite Apresentação dos Solos
Instrangeira com Tiche Vianna
É Possível... É Possível, Sim
com Jô Rodrigues
2º Dia  
manhã Workshop
tarde Mesa Redonda
noite Apresentação dos Solos
Micro-Revolução de Um Ser Gritante com Silvana Abreu

Agorijá com Taynã Azevedo


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