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Sobre "Micro-revolução de um ser gritante" No último sábado tive o privilégio de vivenciar um espetáculo surpreendente, tanto pela proposta como pela qualidade da interpretação. A peça "Micro-revolução de um ser gritante" nos mergulha numa experiência estética, no real sentido da palavra: uma experiência estésica. Arranca-nos da anestesia, retira as camadas pseudo-protetoras com as quais nos cobrimos, e expõe as nossas emoções em carne viva. Sim, emoções que brotam do corpo e que têm no corpo o veículo privilegiado da própria expressividade. Através da interpretação de Silvana temos a oportunidade de "descolonizar" a nossa afetividade - as nossas raivas, os nossos medos. No momento da interpretação, o corpo de Silvana é uma entidade aberta, que nos incorpora e só então se complementa. Nesse movimento, nos descobrimos completos, inteiros ali. Esse é o verdadeiro espírito de "A paixão segundo G.H", obra de Clarice Lispector que inspira "Micro-revolução de um ser gritante". O trabalho nos fertiliza, incendeia o imaginário e, gradativamente, Silvana nos conduz à indagação: se eu fosse eu mesmo, quem seria eu? É extremamente instigante observar a literatura de Lispector filtrada pela leitura de Silvana. Percepcionar as palavras ocupando o espaço do corpo da atriz, que lhes empresta o gesto, a voz, a própria alma. O espetáculo "Micro-revolução de um ser gritante" foi desenvolvido no processo de pesquisa do projeto "Solos do Brasil", coordenado por Denise Stoklos, e já recebeu vários prêmios na categoria monólogo. Silvana Abreu responde pelo texto, direção e interpretação. Para maiores informações e contato, acessar: www.silvanaabreu.com
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