Silvana
Abreu

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Começar pelo SIM

Encontrar o caminho do meu ser. Encontrar, pisar, assumir, trilhar por inteiro cada centímetro desse caminho. Saber da dor e da delícia de viver a expressão que está no mais íntimo. Escancarar este íntimo até a dor mais profunda da tortura de existir. E daí dar um passo a mais, o último, o da queda no abismo da incerteza. Da queda que se transforma em vôo de absurda liberdade, que se transforma em comunicação, em comunhão mágica, em amor, em amor.....

E voltar com a pedra mágica nas mãos, sem palavra humana para relatar a experiência tão fugaz. E mesmo assim tentar o impossível relato. Olhar o outro, ouvir o outro e lhe dar a mão para a próxima viagem. Aprender e ousar acreditar que cada um tem esse caminho possível.

Eu quero. Mesmo que o corpo me traia, mesmo que a voz não me baste. Eu quero, mesmo que o alimento me falte, mesmo que a morte me atinja. Eu quero fazer o outro acreditar que é possível, que ele pode entregar-se a si mesmo. Com paixão, com alegria. E entrar a sua máxima expressão criativa. Eu quero saber em que ponto da idade se começa a esquecer este caminho. A partir de quando o NÃO passa a fazer parte integrante de cada ação e de cada pensamento. Eu quero entender da raiz, da germinação, da formação do espírito. E qual o ponto a partir do qual podemos regá-lo para fazer brotar ramos fortes, dignos e amorosamente humanos, porque entenderam que o espaço largo existe para cada um, é amplo para cada um, é infinito para cada um.

Silvana Abreu
abril/2002