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Wilhelm Reich vai ao Teatro Dia 15 de novembro de 2009. Despedidas, olhares vibrantes, corpos vibrantes, uma profunda e serena sensação de força e expansão. Terminamos nosso treinamento de três anos em trabalho corporal neo-reichiano com Edmundo Barbosa e Jürgen Christian. Viva a fazenda Gaia Revida, cheia de luz. Viva a vida. Aqui eu sinto enorme prazer, estou alerta, viva, curiosa e com a intuição ativada e expandida. O treinamento abriu-me portas que eu jamais poderia imaginar. Possibilitou entender com mais clareza e mais detalhes o quanto a respiração é um fator central na expressão das emoções e como ela determina a experiência de viver (ou bloquear) o constante processo de troca com o meio ambiente e com as outras pessoas. Também posso entender melhor como o corpo carrega e descarrega essa energia psicofísica. As conexões com o teatro são muitas. A ativação da respiração é importante para conquistar presença cênica e nós damos grande atenção a isso. A carga de energia resultante da respiração e do trabalho corporal conduz ao que chamamos de "corpo dilatado" ou "corpo extracotidiano" e é visível a diferença entre atores que tem ou não essa vivência. Há um "brilho" especial, ele captura nosso olhar, e mesmo estando imóvel percebemos seu corpo vibrante, inteiro, vivo. Em decorrência desse trabalho com a respiração, a identificação e exploração de bloqueios também acontece com freqüência, e ter consciência dos conceitos básicos reichianos e da terapia corporal é extremamente importante para que eu possa atuar mais livremente, e também, dando aulas, possa ajudar o ator a tomar posse de sua plena capacidade de expressão artística. Os progressos são visíveis e muito me alegram. O ator vai descobrindo que o seu corpo (corpo-voz-pensamento-emoção-intuição: tudo junto) pode muito mais do que ele está acostumado ou condicionado no cotidiano. O que eu vislumbro é que essa ativação da respiração e, em conseqüência, a liberação da expressão das emoções, leva necessariamente a uma expressão criativa. Algo novo, inédito abre caminho e toma forma concreta no mundo. No nosso trabalho no teatro, dizemos que não há representação, e sim criação de realidade. Não estamos encenando, mostrando ou representado algo exterior ao palco, mas sim criando arte ali, naquele momento, junto com o público. O roteiro é somente um pretexto. (Não é o que acontece também na terapia corporal?) Então eu utilizo esses conceitos e técnicas no meu trabalho para liberação de expressão criativa. Pode ser em qualquer área, na verdade não importa. No caso do teatro, é uma expressão necessariamente coletiva. Isso nos dá a vantagem de ampliar o campo de visão para além do próprio corpo, além da própria história, e entrar em relação com todos os corpos presentes. São corpos respirando juntos, afetando e sendo afetados mutuamente. Quando o teatro tem qualidade, todos estão respirando na mesma pulsação. (E não é isso exatamente que acontece num grupo de terapia corporal???). E no teatro, essas emoções são canalizadas através de jogos, de "máscaras", de "ilusões", de "fabulações", de ficções que, na verdade, estão totalmente coladas à verdade de cada artista. Quando o artista está disposto a se auto-investigar, a mergulhar nas próprias emoções e trazê-las em forma de jogo, de brincadeira com o público, aberto ao risco da respiração e do silêncio aqui e agora, sem querer ou pensar em ser terapêutico, esse processo acaba sendo necessariamente libertador, transformador e curativo, para o artista e para o público. Hoje me sinto extremamente mais segura para fazer o trabalho que faço, dando aulas, acolhendo, percebendo, estimulando, provocando e criando espaço para a liberdade de criar a partir da vida pulsante que flui pelo corpo. Aprendi no Gaia que a vida fluindo sempre é bem-vinda, que não precisa ser temida ou controlada, que ela se organiza naturalmente e oferece as respostas mais transformadoras. A vida e a arte apontam e convidam para o impossível, e é sobre ele que eu quero dançar. Silvana Abreu |
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